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domingo, 11 de abril de 2010

Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)

Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
Uma das melhores obras da Literatura Nacional. Imortal, como o autor. Narrado em primeira pessoa, logo a princípio, surpreende-nos quando o autor dedica morbidamente o livro ao verme que primeiro roer as carnes frias do meu corpo.Romance transcende sua época e descobre-se, logo ao primeiro capítulo, que o narrador está morto, visto descrever em tons acinzentado seu próprio cortejo fúnebre.Livre da condição de vivo, o autor pode com sarcasmo irônico desnudar a insensatez e hipocrisia que povoam a sociedade. O livro permanece atual, pois tais elementos ainda não foram revogados pela modernidade.Personagens interessantes nos são apresentados por esta radiografia psicológica de uma época:>>> Marcela, cortesã espanhola, amor juvenil, que durou 15 meses e 11 contos de réis.>>> Quincas Borba, filósofo maluco, figura notável, que toma-lhe emprestado um relógio, sem o dizer. Após herdar uma fortuna, devolve-lhe o relógio mas acaba seus dias em completa alucinação.>>> Seu pai que desejava encaminha-lo para a política, o que de fato sucedeu-se, tornou-se um deputado sem o menor brilho, enviou-o à Europa ao saber do envolvimento com Marcela e com os gastos que fazia. Torna-se um aluno pouco afeito aos estudos.>>> Um ponto apimentado da obra foi seu romance secreto com Virgília, esposa do amigo Lobo Neves. O filho que ela esperava era de Brás Cubas, porém morre antes de nascer, uma maldição que separa os amantes.>>> Sua irmã Sabina arranja-lhe uma noiva, Eulália, que morre por uma epidemia.>>> Tio João é o seu preferido, mima-o desde criança e ensina-lhe anedotas e malícias.> Destaca-se o Cap. XI ? O menino é o pai do Homem, o qual criou um verdadeiro axioma, digno de teses e tratados literários, filosóficos e psicológicos. Foi no contexto familiar que justifica o adulto excêntrico que tornar-se-ia, encontrando no ninho doméstico as origens de sua ótica a respeito da vida.Pessimista, Brás Cubas desenvolve seus pensamentos de modo aleatório, o que torna a leitura interessante, longe de ser incompreensível.O leitor é convidado a julgar os acontecimentos e fatos narrados, dentro de um contexto irônico, mórbido, lúcido e cativante.Brás Cubas não se polpa à autocrítica mordaz. Considera-se um derrotado, um perdedor. Tentou criar um emplasto, como obra final, para aliviar as dores da humanidade. Morre de pneumonia contraída ao sair de casa para patentear o invento. O burguês sofre inúmeras derrotas e dissabores na vida, uma crítica aos ideais da época que condicionavam a luta vã pelo sucesso e o apego às aparências.Em sua reflexão final, repleta de ironia, afirma que sua maior glória foi não possuir filhos e não ter transmitido a nenhuma criatura o legado da sua miséria.Longe de ser deprimente, ao que tudo sugere, a obra demonstra um humor refinado e apurado, conduzindo o leitor a reflexões que podem ensina-lo a valorizar a própria vida.Uma obra IMPERDÍVEL !!!

Um comentário:

  1. Belo resumo! Com certeza estimulará a leitura de um belíssimo livro como este. Admiro seu trabalho e a dedicação para com os alunos, continue sempre inovando e trazendo novidades como estas...

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